terça-feira, 28 de setembro de 2010

O comercio das especiarias


As especiarias abrangem um vasto leque de produtos comerciais, na sua maioria de origem vegetal, e uma minoria de origem animal, que são utilizados como condimentos da cozinha, nas mezinhas, como mascatórios, excitantes ou drogas, para perfumar ou para tingir produtos. Algumas das especiarias podem, aliás, concentrar várias destas funções ou aplicações.
Na Idade Média, estes produtos tinham já uma larga difusão, apesar de serem raros e por isso muito dispendiosos. Aliás, a preciosidade e raridade das especiarias fazia aumentar a procura por parte dos mercadores, uma vez que o seu comércio lhes trazia avultados lucros.
Na África, os mercadores encontravam a pimenta vermelha, também chamada malagueta, na Gâmbia e no Golfo da Guiné. Nesta última região havia igualmente uma variedade da pimenta preta indiana. Na Ásia havia, sobretudo, seis tipos de especiarias: a pimenta, o gengibre, a canela, o cravo, as maçãs e a noz moscada, provenientes da costa de Malabar (costa ocidental) na Índia, através do entreposto de Calecute; de Ceilão, do Noroeste de Sumatra (Aceh), das ilhas Comores (estas na África Oriental); das ilhas da Banda (Java, por exemplo, ou Balí) e do arquipélago das Molucas. Curiosamente, todos estes lugares foram "descobertos" e controlados pelos portugueses durante o período da sua expansão marítima, proporcionando uma das suas maiores riquezas. Na verdade, este monopólio das especiarias africanas e, sobretudo, das asiáticas, rendia à coroa portuguesa à volta de 89% de lucro líquido, o que justificava o esforço e as despesas com este comércio marítimo asiático no século XVI.
O crescimento deste comércio foi ininterrupto desde o momento em que os portugueses trouxeram malagueta africana para Lisboa, depois de 1450, até ao final do seu domínio asiático, que decaíu a partir da segunda metade do século XVI.

O barroco


Barroco foi o nome dado ao estilo artístico que floresceu na Europa, América e em alguns pontos do Oriente entre o início do século XVII e meados do século XVIII. De certa forma o Barroco foi uma continuação natural do Renascimento, porque ambos os movimentos compartilharam de um profundo interesse pela arte da Antiguidade clássica, com a diferença de a interpretarem e expressarem esse interesse de formas distintas. Enquanto que no Renascimento as qualidades de moderação, economia formal, austeridade, equilíbrio e harmonia eram as mais buscadas, o tratamento barroco de temas idênticos mostrava maior dinamismo, contrastes mais fortes, maior dramaticidade, exuberância e realismo e uma tendência ao decorativo, além de manifestar uma tensão entre o gosto pela materialidade opulenta e as demandas de uma vida espiritual. Mas nem sempre estas características são evidentes ou se apresentam todas ao mesmo tempo, houve uma grande variedade de abordagens estilísticas que foram englobadas sob a denominação genérica de "arte barroca", com certas escolas mais próximas do classicismo renascentista e outras mais afastadas dele. As mudanças introduzidas pelo espírito barroco se originaram, pois, de um profundo respeito pelas conquistas das gerações anteriores, e de um desejo de superá-las com a criação de obras originais, dentro de um contexto social e cultural que já se havia modificado profundamente em relação ao período anterior

A contra reforma


Contrarreforma ou Contra-reforma, também denominada Reforma Católica é o nome dado ao movimento criado no seio da Igreja Católica em resposta à Reforma Protestante iniciada com Lutero, a partir de 1517. Em 1543, a igreja Católica Romana convocou o Concílio de Trento estabelecendo entre outras medidas, a retomada do Tribunal do Santo Ofício (inquisição), a criação do "Index Librorum Prohibitorum", com uma relação de livros proibidos pela igreja e o incentivo à catequese dos povos do Novo Mundo, com a criação de novas ordens religiosas dedicadas a essa empreitada, incluindo aí a criação da Companhia de Jesus. Outras medidas incluíram a reafirmação da autoridade papal, a manutenção do celibato, a criação do catecismo e seminários, a proibição das indulgências

terça-feira, 21 de setembro de 2010

O concílio de trento

Apesar do movimento luterano ter iniciado em 1517 e toda a Igreja sentir a necessidade urgente de uma reforma “na cabeça e nos membros”, muitos obstáculos se antepunham à convocação de um Concílio Ecumênico: a Cúria romana temia perder privilégios, o papa receava o Conciliarismo (teoria pela qual o Concílio está acima do papa), a França queria abater a hegemonia européia do Império Romano Germânico e os príncipes protestantes não pretendiam devolver os bens conquistados.

Após duas tentativas do Papa Paulo III, somente em 1544, com a paz entre o imperador Carlos V e o rei francês Francisco I, criaram-se condições favoráveis e, com a Bula “Laetare Jerusalem”, foi convocado o Concílio para o ano seguinte, em Trento, território feudal neutro.

Foi uma história demorada, com muitos conflitos de interesses, a oposição sistemática de príncipes protestantes, violentos escritos de Lutero no início e desacordos entre o papa e o imperador. Contudo, os 18 anos de duração do Concílio ofereceram à Igreja verdadeiros instrumentos de renovação e reforma, dando-lhe uma fisionomia que, em linhas gerais, ainda perdura.

• PRIMEIRA FASE (1545-1547): foram enfrentados, ao mesmo tempo, as questões dogmáticas e disciplinares. Contudo, devido ao medo de uma invasão de príncipes protestantes e às ingerências do Imperador, Paulo III suspendeu o Concílio. Temas tratados: a Escritura e a Tradição como fontes da fé; o pecado original, a doutrina da justificação, dos sacramentos em geral e do batismo e confirmação em particular. Os titulares de benefícios eclesiásticos (bispos, cardeais, abades, padres) sãoobrigados a residir onde tinham sido nomeados.

• SEGUNDA FASE (1551-1552): o Papa Júlio III reabriu a Assembléia conciliar. Compareceram os delegados de três príncipes e seis cidades protestantes alemãs, exigindo a anulação da sessão anterior e a proclamação da superioridade do Concílio sobre o papa. Pelo temor de ataques militares, o Concílio foi novamente suspenso. Temas tratados: a eucaristia e os sacramentos da penitência e da extremaunção
TERCEIRA FASE (1561-1563): foi marcada pela presença do enérgico Pio IV, ajudado pelo sobrinho Carlos Borromeu, futuro arcebispo de Milão. Discutiu-se muito sobre o tema do episcopado: como conciliar os direitos dos bispos com o pri-mado papal? Os bispos foram instituídos por Cristo ou são representantes do papa? Deixa-se de lado a discussão doutrinal aumentando-se a autoridade dos bispos em suas dioceses. Define-se a hierarquia: bispos, sacerdotes e diáconos são de origem divina.

Temas tratados: a eucaristia e a missa. Proibiu-se a comunhão sob duas espécies e rejeitou-se a língua vernácula na liturgia. Reafirmou-se a sacramentalidade e indissolubilidade do matrimônio, as indulgências, o culto dos santos, das relíquias e das imagens. Decisões disciplinares: cada diocese devia ter seu seminário e selecionar melhor seus candidatos ao sacerdócio. Bispos e cardeais eram proibidos de serem titulares de mais de uma diocese
O Concílio de Trento não pôde restabelecer a unidade. Infelizmente, os dois lados não tinham mais condições de um diálogo verdadeiro e a Igreja católica não poderia renunciar a ser ela mesma. Sob o aspecto dogmático, os bispos reunidos em Trento deram uma resposta autêntica às dimensões e afirmações da Reforma luterana. Escolhendo uma doutrina fundamentada na Escritura e nos Santos Pais. A Igreja purificou e aperfeiçoou seu passado.

Afirmou-se como Corpo Místico de Cristo e, ao mesmo tempo, organismo jurídico, guarda e intérprete da verdade (função magisterial). Rejeitou o pessimismo protestante, pois a natureza humana não está totalmente corrompida, e o livre arbítrio apenas foi enfraquecido. Caráter real da justificação: somos justificados em Cristo e isso realmente nos faz justos. Distinção entre pecado e concupiscência. Para a clareza da fé católica, fez publicar a Profissão de Fé tridentina.

SIGNIFICADO DISCIPLINAR

Deu um vigoroso impulso à vida religiosa da Igreja. Fugindo da tentação do luxo e das artes, definiu como missão essencial da Igreja e de seus pastores a salvação das almas: “seja lei suprema a salvação das almas”. A reforma e exigência de seminários em cada diocese, rigor na seleção dos candidatos e acesso ao sacerdócio de ricos e pobres deu novo impulso à pastoral. Para a formação teológica, mais tarde Gregório XIII (1572-1585) criou em Roma a Universidade Gregoriana e seminários próprios para estudantes da Alemanha, Hungria e Inglaterra.

Os bispos passaram a ser obrigados a residir em suas dioceses e, a cada cinco anos, prestar contas ao papa de seu trabalho (Visita ad Limina). A Cúria romana foi reformulada e o governo da Igreja confiado a 15 Congregações. A antiga Inquisição foi reestruturada como um tribunal romano central, com o nome de Congregação do Santo Ofício. Para evitar confusão na mente dos fiéis, criou-se o Índice dos Livros proibidos (lista de obras proibidas aos católicos). Algumas recomendações conciliares, devido ao fato de exigirem longos estudos, foram publicadas anos depois por São Pio V: o Catecismo romano1566), o Breviário romano (1568) e o novo Missal romano (1570), que vigorou até 1969.




Houve uma certa lentidão na aplicação das normas da Reforma, com favorecimento ao conservadorismo. Ainda se tolerava o acúmulo de benefícios eclesiásticos, principalmente na Alemanha. Pouca reforma nos abusos que se verificavam nos conventos e muito lentamente se fundam os seminários. Passar da Igreja medieval-renascentista para a Igreja tridentina é uma tarefa que exigirá décadas. Todos eram favoráveis às reformas, desde que não atingissem seus privilégios pessoais.

Como pontos negativos da Igreja tridentina, poderíamos citar: excessiva centralização no papa e imagem da Igreja como estrutura de governo; clericalização da Igreja em detrimento dos leigos; separação do povo e do clero; rigidez litúrgica e acentuação do devocional na espiritualidade cristã, acentuando assim a contraposição àquilo que de positivo a Reforma protestante pedia: o uso da Bíblia, a Graça, a liturgia na língua do povo e a valorização do sacerdócio de todos os batizados.

O Concílio de Trento não pôde restabelecer a unidade. Infelizmente, os dois lados não tinham mais condições de um diálogo verdadeiro e a Igreja católica não poderia renunciar a ser ela mesma. Sob o aspecto dogmático, os bispos reunidos em Trento deram uma resposta autêntica às dimensões e afirmações da Reforma luterana. Escolhendo uma doutrina fundamentada na Escritura e nos Santos Pais. A Igreja purificou e aperfeiçoou seu passado.

Afirmou-se como Corpo Místico de Cristo e, ao mesmo tempo, organismo jurídico, guarda e intérprete da verdade (função magisterial). Rejeitou o pessimismo protestante, pois a natureza humana não está totalmente corrompida, e o livre arbítrio apenas foi enfraquecido. Caráter real da justificação: somos justificados em Cristo e isso realmente nos faz justos. Distinção entre pecado e concupiscência. Para a clareza da fé católica, fez publicar a Profissão de Fé tridentina.

SIGNIFICADO DISCIPLINAR

Deu um vigoroso impulso à vida religiosa da Igreja. Fugindo da tentação do luxo e das artes, definiu como missão essencial da Igreja e de seus pastores a salvação das almas: “seja lei suprema a salvação das almas”. A reforma e exigência de seminários em cada diocese, rigor na seleção dos candidatos e acesso ao sacerdócio de ricos e pobres deu novo impulso à pastoral. Para a formação teológica, mais tarde Gregório XIII (1572-1585) criou em Roma a Universidade Gregoriana e seminários próprios para estudantes da Alemanha, Hungria e Inglaterra.

Os bispos passaram a ser obrigados a residir em suas dioceses e, a cada cinco anos, prestar contas ao papa de seu trabalho (Visita ad Limina). A Cúria romana foi reformulada e o governo da Igreja confiado a 15 Congregações. A antiga Inquisição foi reestruturada como um tribunal romano central, com o nome de Congregação do Santo Ofício. Para evitar confusão na mente dos fiéis, criou-se o Índice dos Livros proibidos (lista de obras proibidas aos católicos). Algumas recomendações conciliares, devido ao fato de exigirem longos estudos, foram publicadas anos depois por São Pio V: o Catecismo romano1566), o Breviário romano (1568) e o novo Missal romano (1570), que vigorou até 1969.

UMA LONGA E DIFÍCIL TRANSIÇÃO

Houve uma certa lentidão na aplicação das normas da Reforma, com favorecimento ao conservadorismo. Ainda se tolerava o acúmulo de benefícios eclesiásticos, principalmente na Alemanha. Pouca reforma nos abusos que se verificavam nos conventos e muito lentamente se fundam os seminários. Passar da Igreja medieval-renascentista para a Igreja tridentina é uma tarefa que exigirá décadas. Todos eram favoráveis às reformas, desde que não atingissem seus privilégios pessoais.

Como pontos negativos da Igreja tridentina, poderíamos citar: excessiva centralização no papa e imagem da Igreja como estrutura de governo; clericalização da Igreja em detrimento dos leigos; separação do povo e do clero; rigidez litúrgica e acentuação do devocional na espiritualidade cristã, acentuando assim a contraposição àquilo que de positivo a Reforma protestante pedia: o uso da Bíblia, a Graça, a liturgia na língua do povo e a valorização do sacerdócio de todos os batizados.

O Concílio de Trento não pôde restabelecer a unidade. Infelizmente, os dois lados não tinham mais condições de um diálogo verdadeiro e a Igreja católica não poderia renunciar a ser ela mesma. Sob o aspecto dogmático, os bispos reunidos em Trento deram uma resposta autêntica às dimensões e afirmações da Reforma luterana. Escolhendo uma doutrina fundamentada na Escritura e nos Santos Pais. A Igreja purificou e aperfeiçoou seu passado.

Afirmou-se como Corpo Místico de Cristo e, ao mesmo tempo, organismo jurídico, guarda e intérprete da verdade (função magisterial). Rejeitou o pessimismo protestante, pois a natureza humana não está totalmente corrompida, e o livre arbítrio apenas foi enfraquecido. Caráter real da justificação: somos justificados em Cristo e isso realmente nos faz justos. Distinção entre pecado e concupiscência. Para a clareza da fé católica, fez publicar a Profissão de Fé tridentina.



Deu um vigoroso impulso à vida religiosa da Igreja. Fugindo da tentação do luxo e das artes, definiu como missão essencial da Igreja e de seus pastores a salvação das almas: “seja lei suprema a salvação das almas”. A reforma e exigência de seminários em cada diocese, rigor na seleção dos candidatos e acesso ao sacerdócio de ricos e pobres deu novo impulso à pastoral. Para a formação teológica, mais tarde Gregório XIII (1572-1585) criou em Roma a Universidade Gregoriana e seminários próprios para estudantes da Alemanha, Hungria e Inglaterra.

Os bispos passaram a ser obrigados a residir em suas dioceses e, a cada cinco anos, prestar contas ao papa de seu trabalho (Visita ad Limina). A Cúria romana foi reformulada e o governo da Igreja confiado a 15 Congregações. A antiga Inquisição foi reestruturada como um tribunal romano central, com o nome de Congregação do Santo Ofício. Para evitar confusão na mente dos fiéis, criou-se o Índice dos Livros proibidos (lista de obras proibidas aos católicos). Algumas recomendações conciliares, devido ao fato de exigirem longos estudos, foram publicadas anos depois por São Pio V: o Catecismo romano1566), o Breviário romano (1568) e o novo Missal romano (1570), que vigorou até 1969.

UMA LONGA E DIFÍCIL TRANSIÇÃO

Houve uma certa lentidão na aplicação das normas da Reforma, com favorecimento ao conservadorismo. Ainda se tolerava o acúmulo de benefícios eclesiásticos, principalmente na Alemanha. Pouca reforma nos abusos que se verificavam nos conventos e muito lentamente se fundam os seminários. Passar da Igreja medieval-renascentista para a Igreja tridentina é uma tarefa que exigirá décadas. Todos eram favoráveis às reformas, desde que não atingissem seus privilégios pessoais.

Como pontos negativos da Igreja tridentina, poderíamos citar: excessiva centralização no papa e imagem da Igreja como estrutura de governo; clericalização da Igreja em detrimento dos leigos; separação do povo e do clero; rigidez litúrgica e acentuação do devocional na espiritualidade cristã, acentuando assim a contraposição àquilo que de positivo a Reforma protestante pedia: o uso da Bíblia, a Graça, a liturgia na língua do povo e a valorização do sacerdócio de todos os batizados.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Residuos industriais

Resíduo industrial, vulgarmente chamado de lixo industrial, é o resíduo proveniente de processos industriais. É muito variado o processo de produção industrial o que gera grande variedade de resíduos sólidos, líquidos e gasosos. Diferentes são as indústrias e também os processos por elas utilizados e assim os dejetos resultantes. Alguns podem ser reutilizados ou reaproveitados. Muito do refugo das indústrias alimentícias são utilizados como ração animal. Por outro lado, o das que geram material químico são bem menos aproveitados por apresentarem maior grau de toxicidade, elevado custo para reaproveitamento (reciclagem), exigindo, às vezes, o uso de tecnologia avançada para tal.

A liberação de resíduos ou produtos “não-necessários” da indústria para o ambiente, pode causar a poluição do ar, da água e do solo.

No Brasil a indústria reduziu considerávelmente a poluição do ar, porém o descarte indevido e ilegal em locais clandestinos tem provocado uma considerável poluição do solo e contaminando as águas de superfícies, bem como as subterrâneas, os lençóis freáticos.

Um exemplo disso é o "Lixão do Mantovani" na região de Campinas, local que há anos recebeu resíduos das industrias e, principalmente, os Classe I - Perigosos, conforme especifica a NBr 10.004 da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Este tipo de poluição industrial é um dos grandes problemas atuais e as soluções técnicas adequadas dependem de cada caso e é estudada por engenheiros da área química, ambiental ou sanitária.

Lulas


As pérolas perfeitas são muito raras e por estarem ocultas no interior das conchas, tornaram-se o símbolo do conhecimento velado e da sabedoria esotérica. São mencionadas, ao longo de milênios, na mística, na religião, na arte, folclore e literatura dos mais diferentes povos.

A cosmogonia dos Ahl-i Haqq, os Fiéis da Verdade no Irã, prega que no início não havia na Existência nenhuma criatura além da Verdade Suprema, única, viva e adorável. Ela morava na pérola onde ocultava sua essência. As ondas do mar a tudo guardavam

Pérola dos sonhos


Num célebre escrito gnóstico há uma passagem que compara a busca da pérola à da salvação do homem, o seu drama espiritual. Ao encontrar a pérola, o gnóstico completa a tarefa de sua vida. É necessário grande esforço para o conseguir, assim como à verdade e ao conhecimento, pois a pérola se esconde na concha, a concha está no fundo do mar e o mar coberto por ondas.


Peças da JM Com. e Lapidação de Pedras Preciosas Ltda.
No texto paleocristão "Physiologus" encontramos um trecho belíssimo que diz: "Há uma concha no mar que leva o nome de concha purpúrea. Ela emerge do fundo do mar . . . abre sua boca e bebe o orvalho do céu e o raio do sol, da lua e das estrelas, e por intermédio dessas luzes superiores produz a pérola".
Escritos cristãos antigos retratam o Cristo como "a grande pérola que Maria carrega".

A pérola é pura e preciosa, porque é retirada de uma água lodosa, de uma concha grosseira, e surge tão bela, tão límpida. Há uma certa aura de magia que a cerca.


A origem mítica mais comum menciona conchas fecundadas através de temporais, pelo trovão, o dragão celestial, e sendo alimentadas pela luz da lua, gerando então a pérola.

Os celtas usavam-nas para energizar um recipiente, conhecido como Vasilha Mãe, que mais tarde foi chamado Cálice Sagrado, fonte da imortalidade.

Poemas épicos indianos como o Ramayana e Mahabarata contém interessantes lendas sobre pérolas: "Após a criação do mundo os quatro elementos honraram o Criador, cada um com um presente. O Ar ofereceu-lhe um arco-iris; o Fogo uma estrela cadente; a Terra um precioso rubi e a Água uma pérola". Na Índia acreditava-se que as pérolas nasciam na testa, cérebro e estômago dos elefantes (animais sagrados), também nas nuvens, conchas, peixes, serpentes, bambus e ostras. Sendo propriedade exclusiva dos deuses, as pérolas das nuvens irradiavam boa sorte. As pérolas das serpentes possuíam um halo azul e descendiam de Va’Suki, soberano das serpentes. Os mortais muito raramente viam essas pérolas: somente os de grande mérito gozavam de tal privilégio.

Na Malásia acreditava-se que elas nasciam nos coqueiros, enquanto que na China supunha-se que elas cresciam num peixe parecido com a enguia, ou no cérebro do dragão.


Peças da JM Com. e Lapidação de Pedras Preciosas Ltda.
Lendas também falavam da pérola que crescia na cabeça do sapo. Shakespeare mencionaria essa crença milhares de anos após, em sua obra As You Like It: "Doce pode ser a adversidade da vida, que como o sapo, feio e peçonhento, na cabeça traz, todavia, uma jóia cingida".
Em sua simbologia a pérola está inegavelmente ligada à lua, à água e à mulher. Nascida das águas, numa concha, representa o princípio Yin, a feminilidade criativa. A semelhança entre a pérola e o feto lhe confere propriedades genésicas e obstétricas. Desse triplo simbolismo (Lua - Água - Mulher) derivam suas propriedades mágicas, medicinais, ginecológicas.

Na Pérsia antiga a pérola intacta era o símbolo da virgindade. O termo "furar a pérola da virgindade" está associado à consumação do matrimônio.

No Oriente é considerada afrodisíaca, fecundante, um talismã.

Na Grécia antiga era sinônimo de amor e casamento.


Na China e Índia é o símbolo da imortalidade, daí o fato de colocarem uma grande pérola na boca do morto, para regenerá-lo e inseri-lo num ritmo cósmico, cíclico, que, à imagem das fases da lua, pressupõe nascimento, vida, morte e renascimento.

Simbolismo forte também é o das pérolas enfiadas em um cordão. É o rosário, o sutratma, a cadeia dos mundos, penetrados e unidos por Atma, o Espírito Universal.


Peças da JM Com. e Lapidação de Pedras Preciosas Ltda.
Assim, o colar de pérolas simboliza a unidade cósmica do múltiplo, a integração dos elementos dissociados de um ser na unidade da pessoa, o relacionamento espiritual de universo desequilibrado, da unidade rompida.
Já esteve associada às lágrimas, mas como símbolo da virtude que fortifica os espíritos vitais que nascem do coração. Há um dito muito conhecido por joalheiros da Europa oriental que diz: "As pérolas em que acreditamos nos trazem lágrimas prateadas como a lua, mas são lágrimas de alegria".


Pérolas na medicina popular: A pérola já foi empregada para tratamentos de saúde por diversas culturas, ocupando lugar de destaque na antiga farmacologia. Foram usadas como afrodisíaco e moídas serviam de cosméticos aos antigos egípcios e chineses; aplicadas à pele, mantinham-lhe o resplendor e o brilho sedutor e iridescente da pérola. Esta serve, na Índia, de panacéia; é boa contra as hemorragias, a icterícia, a loucura, o envenenamento, as doenças dos olhos, a tuberculose etc. Na Europa era utilizada para tratar melancolia, a epilepsia, a demência. A terapêutica hindu moderna utiliza o pó das pérolas por suas propriedades revigorantes e afrodisíacas. Na China, a medicina utilizava unicamente a pérola virgem, não perfurada, que tinha a atribuição de curar todas as doenças dos olhos. A medicina árabe reconhece na pérola virtudes idênticas. As pérolas queimadas eram usadas nas doenças do coração, dificuldades digestivas, doenças mentais e mau hálito. No tratamento contra enxaquecas, úlceras, cataratas e problemas oculares, os pacientes inalavam pó queimado. Aplicado à pele curava a lepra; aplicado sobre os dentes, como pasta, fortalecia esmalte e gengivas. Julgava-se ainda que era eficiente contra gota, varíola, doenças pulmonares e malária; mas os únicos poderes medicinais cientificamente comprovados da pérola são os de antiácido e adstringente.

Atualmente estão destituídas da área da Saúde no Ocidente, no entanto curandeiros indianos ainda as utilizam em antigos métodos. Na China pode-se encontrar o pó de pérolas. Os comprimidos de pérolas moídas são vendidos em farmácias do Japão como fonte de energia e cálcio.